TOCA A PESCAR
15.9.09

Enguia

Enguia


 

Nome vulgar:  ENGUIA, meixão (juvenis), Angula (juvenis)
Nome científico: Anguilla anguilla
Família: Anguillidae
Ordem: Anguilliformes Meio ambiente: Grande imersão; catadromous;
pH: Profundidade: 0-700 m
Clima: Temperado.
Temperatura: 4 - 20°C

Origem

Nascem no Oceano Atlântico, no Mar dos Sargaços, entre as Bahamas e as Bermudas, como larvas (leptocéfalas) são arrastadas ao longo de um período de 2 a 3 anos pelas correntes oceânicas até às costas europeias onde inicia uma outra etapa, já como pequenas enguias ou enguias de vidro (transparentes) vão subindo ao longo dos rios e ribeiras onde adquirem o estado adulto para mais tarde regressarem de novo à origem onde se reproduzirão e morrerão.

Distribuíção Geográfica 

No nosso país a enguia pode ser encontrada em praticamente todos os cursos de água doce. Açores e Madeira, nos rios Adrão, Âncora, Arade, Ave, Cávado, Coura, Douro, Estorãos, Guadiana, Lima, Lis, Minho, Mira, Mondego, Paiva, Sado, Sorraia, Sousa, Tâmega, Tejo e Vouga. Também nas ribeiras de Carreiras, Foupana, Monchique, Odelouca, Torgal, Vale de Ferro e Vascão, e nas barragens de Aguieira, Alto Lindoso, Arade, Belver, Bemposta, Crestuma Lever, Ermal, Funcho, Régua e Torrão. E ainda no Paúl do Taipal e nas lagoas de Mira e Óbidos.

Caracteristícas 


É uma espécie marinha com uma fascinante história migratória e com um ciclo de vida em água doce e outro no mar. Possui um corpo muito alongado e cilíndrico, com aparência serpentiforme, de dorso esverdeado e ventre claro, com escamas minúsculas e ovais e uma barbatana dorsal que se une à caudal e anal e com as peitorais curtas. Apresenta um focinho pequeno e cónico com 2 pares de narinas e de boca larga onde a maxila inferior ultrapassa a superior, ambas com pequenos dentes muito fortes e aguçados.
Tem uma enorme versatilidade quer de se deslocar em qualquer curso de água quer de viver em águas bem ou mal oxigenadas, procurando sempre os obstáculos para se proteger ou camuflar, desenvolvendo grande parte da sua actividade à noite. Possui ainda a capacidade de poder sair da água e movimentar-se nas margens mais húmidas, chegando mesmo a utilizar esta particularidade para se introduzir num outro meio aquático mais próximo.

Habitat 

A Carpa tornou-se uma espécie tipicamente de albufeiras e cursos de água com corrente fraca e muita vegetação. Tem o hábito de nas águas pouco profundas se fossar no fundo a fim de provocar turvação e costuma vir à superfície para aspirar o ar. Gosta especialmente de zonas pouco profundas (1m a 5m) e de preferência com vegetação, árvores, ou qualquer outro tipo de estruturas, refugiando-se nos fundões nas alturas de frio ou calor mais intenso.Possui ainda uma enorme capacidade para águas salobras assim como uma impressionante resistência fora de água, conhecem-se casos de exemplares que sobreviveram após mais de 1 hora sem água.
 Em alguns locais e beneficiando de determinadas situações naturais a Carpa consegue atingir cerca de 1 metro de comprimento e com um peso que poderá oscilar entre os 30 e os 35 kgs., existindo já diversos registos próximos dos 40 kgs.

Alimentação

A Enguia é um peixe omnívoro, e sobretudo carnívoro, muito voraz. Após entrar no ciclo de água doce alimenta-se de pequenos peixes, crustáceos, anfíbios, grandes larvas, etc., tudo que seja animal vivo, morto ou mesmo em decomposição.

Reprodução 

Após um longo ciclo de vida em água continentais, entre 5 e 12 anos, no início do Outono a Enguia empreende o regresso ao Mar dos Sargaços, onde tem lugar a reprodução, sendo a postura feita a profundidades que vão dos 300 aos 600/700 metros, quando a temperatura estabiliza nos 16ºC ou 17ºC. Cada fêmea pode reproduzir o impressionante número de 1 milhão de ovos ou até mais. A incumbação dura mais ou menos 30 dias e após a eclosão das larvas estas ficam dissimuladas em pequenas algas em deriva e logo arrastadas pela chamada corrente do Golfo que cruza o oceano.
 

Técnicas de Pesca para a Enguia

Na pesca com cana e anzol, engolem muitas vezes o anzol.

Isco:

A minhoca comum, camarão, casulo e  Sardinha.
 

Tamanho mínimo de captura - 20
Período de pesca - Todo o ano.

 

 

In: Pesca-pt

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11.9.09

 

 

A lagoa de Óbidos.
A Foz do Arelho é uma localidade que fica junto ao mar, na margem Norte da lagoa de Óbidos e a cerca de 8 Km das Caldas da Rainha. O areal da praia da Foz do Arelho estende-se entre a “aberta” da lagoa de Óbidos (canal de ligação da lagoa com o mar) e o início da Serra do Bouro (zona rochosa a norte). Na margem sul da lagoa de Óbidos, também junto ao mar, fica a aldeia do Bom Sucesso. A partir desta localidade estende-se, para Sul, um areal com mais de dez quilómetros até ao Baleal, já próximo de Peniche.

 

Sendo a lagoa de Óbidos, a maior lagoa de água salgada da Europa, logo se percebe da sua importância para a desova, reprodução e alimentação de várias espécies piscícolas da nossa costa (entre as quais se destacam o robalo, a dourada, linguado e  enguia).
Para além da grande diversidade de moluscos bivalves (berbigão, amêijoa, lingueirão e mexilhão) que habitam na lagoa de Óbidos, esta é também rica em vermes anelídeos (casulo, “grilo” e minhoca da lagoa) e moluscos (chocos, por exemplo). Esta abundância de alimentação constitui um factor importante para a fácil reprodução e crescimento de robalos, douradas e outras espécies na lagoa.
Não obstante, tem-se assistido nos últimos anos à degradação do frágil equilíbrio natural desta lagoa, constantemente ameaçado pela pressão urbana e, de um modo especial, pelo assoreamento da barra de que resulta a eutrofização (proliferação de algas que consomem o oxigénio da água) e pela poluição do rio Arelho causada pelas descargas da indústria pecuária e pelos pesticidas e fertilizantes utilizados na agricultura (que têm também ajudado muito ao processo de eutrofização acima referido pois os fosfatos contribuem para o acelerado crescimento das algas).
De ano para ano tem-se notado um decréscimo considerável das capturas de robalos (não só devido à poluição e assoreamento da lagoa, mas também ao aumento da pressão de pesca não selectiva), mas apesar disso, muitos são os pescadores que costumam frequentemente tentar a sua sorte ao corrico. Convém, pois, que face à situação de ruptura, sejam devolvidos à água todas as espécies que não tenham as medidas mínimas legais, optando-se assim por uma pesca selectiva e consciente.
O Corrico
A época alta da pesca ao corrico do robalo na Foz do Arelho, costuma ser em Abril/Maio e Setembro/Outubro, ocorrendo também a pesca de grandes exemplares entre Janeiro e Março, no período da desova. Especialmente durante o final do Verão, muitos são os pescadores que todos os anos lá vão passar férias e matar saudades dos amigos e da pesca.
O corrico consiste no lançamento sistemático de uma amostra artificial e no recolher de forma continuada da mesma, que faz com que a amostra “trabalhe”, isto é, faz com que ela produza um movimento análogo ao de um peixe vivo e que atraí o robalo. Esta técnica de pesca apenas funciona com espécies piscícolas predadoras, de que são exemplos mais frequentes na nossa costa, o robalo, a baila e a anchova (e, por vezes, uns agulhas que pagam caro a sua curiosidade).
A amostra por excelência usada para pescar dentro da lagoa ou no canal de ligação desta ao mar é o chamado “pipo de bicicleta” ou “chico fininho” . Esta amostra, de fabrico manual e cor amarelada (a tender para o castanho), procura imitar a “angula” (enguia miúda) que todos os anos chega a estas paragens depois de uma longa migração desde o mar dos Sargaços, onde nascem. A enguia é uma espécie bastante abundante na lagoa de Óbidos, sendo as mais jovens umas das presas mais apreciadas pelo robalo. O tamanho usado para estas amostras situa-se entre os 6 a 8 cm. O principal aspecto a focar do “pipo de bicicleta” é a sua cauda com uma amplitude de cerca de 45º em relação ao corpo. Esta cauda curva dá ao “pipo” um trabalhar estilo ventoinha dentro de água. Este rodopiar constante produz bastantes vibrações na água que serão um dos factores importantes para chamar a atenção do robalo à sua presa (não esquecendo que as águas propagam o som bastante melhor que o ar).
Quando se pesca directamente na ondulação do mar (que fica junto à “aberta”) já é habitual usarem-se amostras (“raglou”, “red gill”, etc) que imitam peixe miúdo (petinga, biqueirão, etc) e costumam variar em tamanho entre os 8 e os 12 cm. A cor mais usada é o branco/verde (verde na parte dorsal e branco na barriga), verde fluorescente e branco/rosa. As “storms” ou “rapalas” que imitam peixes (a mais famosa é a “storm” que imita uma petinga, de cor azul e cinzento metalizado, muito reflectora) são mais usadas à noite.

 

 

O pipo de Bicicleta.

 


Outras amostras usadas na Foz.
 

 

Geralmente, a pesca ao corrico faz-se durante a maré vazia, por forma a aproveitar a forte corrente que entra mar adentro. As últimas horas da vazante, primeiras da enchente, costumam ser as que melhores resultados dão, pois costuma ser o momento ideal para o peixe entrar na lagoa. O início da vazante costuma também ser bom. Por vezes, quando a “aberta” corre com força e a direito pelo mar adentro e quando a corrente da lagoa não trás muitas algas é costume “dar-se linha” (deixar que a corrente leve a amostra mar fora), não sendo raro esgotar a linha do carreto. Quanto mais “dentro do mar” estivermos, maior a probabilidade de apanharmos um robalo grande.
O mar que considero ideal para o robalo é um mar nem demasiado forte nem demasiado manso.

 


O mar ideal para corricar ao Robalo.
Convém ter uma ondulação certa, ou seja, a espaços regulares, não muito alta, e que deixe um “rasto” de espuma branca quando passa a onda, sinal de que a água está bem oxigenada. Por cima de bancos de areia recém formados, para além de ser habitual haver ondulação com águas bem oxigenadas, ocorre também o depósito de areias novas com muita comedia vinda da lagoa (ou propícias ao seu aparecimento), sendo por isso um local predilecto para a pesca do corrico.
O Equipamento.
O material para o corrico convém ser o mais leve possível (dado que passamos muito tempo com o equipamento na mão) e o carreto muito resistente (para puxar constantemente uma chumbada contra a corrente e, por vezes, com lixo agarrado). As canas usadas costumam ter entre 4 a 5 metros, dependendo da altura do ano em que se pesca e do local (dentro da lagoa ou no mar). No inverno e no mar, convém usar canas maiores porque é necessário lançar mais longe e com mais peso. 
O uso de fios de multifilamentos (fibras) para o carreto começa a ser cada vez mais comum, pois permite usar diâmetros mais curtos para a mesma resistência dos fios de nylon, o que contribui para lançamentos mais longos. Por outro lado, este tipo de fios evita melhor que as algas se fixem neles (são mais cortantes e finos).
Na Foz do Arelho costuma usar-se, na maior parte das vezes, uma chumbada entre 60 e 100 gramas (dependendo do estado mar) para lançar a amostra e um “estralho” (fio de ligação da amostra à linha mestra do carreto) com cerca de 3,5 metros (quanto maior a cana, maior o estralho que se pode usar). Em certas situações, tem que se recorrer à bóia de água em vez da chumbada para apanhar robalos (quando eles andam muito à superfície). Pode-se, também, considerar a utilização da bombetes semi afundantes, pois evoluem em meia água e são mais facilmente arrastadas por correntes mais fracas (com mares batidos desaconselha-se o seu uso, pois retornam rapidamente até à beira-mar por acção da forte ondulação). Um substituto muito usado na Foz do Arelho (para as bóias de água da “Buldo” e para as bombetes) é o famoso frasco de cola “pica-pau” (em plástico branco) com água e areia no interior para afundar (além de um cordel com destorcedor duplo na tampa para prender a amostra e a linha mestra do carreto). Torna-se uma solução simples, eficaz e económica.
No final da linha mestra do carreto pode-se colocar um destorcedor duplo com um clip para encalce rápido da chumbada ou da bóia de água. Prende-se depois o estralho ao segundo destorcedor que gira em torno do primeiro (onde se fixa o clip de encalce da chumbada). Alternativamente, pode-se construir um sistema com missangas e um destorcedor simples no meio (ver foto nº3 sff). Estes sistemas evitam que o “estralho” fique embaraçado, situação esta que pode impedir o correcto funcionamento da amostra.

Para além deste equipamento, é essencial ter uns botins de pesca que cheguem ao peito ou um fato de surf ou de mergulho, pois muitas vezes é necessário pescar dentro de água (perto da ondulação) ou atravessar para bancos de areia mais dentro do mar. Neste caso, é imprescindível estar sempre muito atento à ondulação do mar e ás correntes da lagoa, para evitar sermos derrubados.
Em suma, o corrico na Foz do Arelho (e noutras rias, estuários e lagoas deste nosso Portugal) é uma pesca adequada a quem gosta de estar “dentro” do mar, sentir a ondulação por vezes até ao peito, andar à procura do peixe e atravessar para bancos de areia isolados onde o homem se envolve com a natureza de forma apaixonante.


Neste dia era necessário avançar mar a dentro, cerca de 200m.(entre os pontos vermelhos).
Por outro lado, a vantagem de não ser preciso adquirir iscos naturais é mais um aliciante, pois a qualquer momento e em qualquer local (desde que tenhamos o equipamento apropriado no porta-bagagens) podemos ir pescar e esquecer o “stress”. Mesmo em zonas rochosas, o corrico é uma técnica que produz bons resultados. Na serra do bouro, por exemplo, existem muitos pescadores das aldeias vizinhas que descem a serra e percorrem vários kilómetros ao longo do litoral rochoso à procura do robalo.


......................................................................Os resultados podem ser os melhores.

 

 



 in:pescaemportugal
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9.9.09

 

O Boile é uma massa tipo pão feita de ingredientes que as Carpas adoram, é fervida para ganhar consistência e posteriormente congelada ou deixada a secar, sendo que neste último caso ainda ficam mais duros. A finalidade da sua dureza é dificultar a vida aos cágados, lagostins e pequenos peixes na sua incessante tarefa de estragar as nossas iscadas.

Essa massa é composta de dois elementos: Os Sólidos e os Líquidos.

Nos sólidos vamos encontrar fundamentalmente, mas não só, farinhas.
Farinhas como as de Milho, Trigo, Cânhamo, Peixe, Soja, Arroz, Batata e de tudo um pouco o que possa imaginar.


Mas é também nesta categoria que encontramos o açúcar, leite em pó, sementes esmagadas, sal, etc.

Nos líquidos vamos encontrar os inevitáveis ovos.
São eles que vão ligar a massa e permitir que se faça uma pasta moldável.
Para além dos ovos encontramos nesta categoria aditivos como o azeite, óleos diversos, aromas, etc.

Como, para já, o objectivo é aprender a fazer Boilies, vamos assumir uma receita muito simples que é conhecida como 50/50, ou seja, farinha de milho e trigo (sem fermento) em partes iguais.

Geralmente, para cada 100gr de farinhas é preciso 1 ovo grande, ou seja, para 1Kg, 10 ovos, etc.

Vamos então experimentar com 200gr, ou seja, 100gr de farinha de trigo e 100gr de farinha de milho.
Vamos precisar portanto de 2 ovos grandes;
UTENSILIOS
Para fazer os Boilies vai precisar de um fogão, dois recipientes com capacidade para a totalidade da massa que se vai fazer, um garfo ou colher, uma panela, uma toalha, uma rede metálica e, idealmente, uma tábua de enrolar Boilies.
   
FAZER BOILIES
Coloque as farinhas num dos recipientes e misture-as muito bem até obter uma só farinha omogénea.

No outro recipiente bata os ovos com o garfo ou colher até obter um liquido também ele homogéneo.
   
Começe a colocar farinha no recipiente que tem os ovos, pouco a pouco, misturando sempre com o garfo ou colher e, quando já não conseguir misturar mais, amasse com as mãos.
   
A ideia é obter uma bola de massa omogénea com uma consistência moldável, tipo plasticina em dia de calor.

Pode besuntar as mãos e a superfície de trabalho com um bocado de azeite ou óleo vegetal se a massa estiver muito peganhenta.
   
   
Se tiver a tábua de enrolar Boilies use-a, caso contrário, faça rolos da espessura de salsichas, parta-os aos bocados e enrole-os com as palmas das mãos de modo a obter bolas do tamanho desejado.
Nesta tarefa as crianças podem ser uma grande ajuda ...
   

O tamanho mais comum é de 15mm a 20mm, ou seja, do tamanho de um berlinde abafador, algures entre o berlinde normal e a bola de matraquilhos.

Não se preocupe se não ficarem todos exactamente do mesmo tamanho.
Pode também fazer alguns que não sejam completamente redondos. 
   
Coloque-os na rede metálica e leve a ferver durante cerca de 2 a 3mn.
Pode juntar uma colher de sal à água da fervura porque, tal como nós, as Carpas gostam da comida bem temperada.

Retire-os da fervura e coloque-os em cima da toalha/pano para arrefecerem e secarem durante cerca de meia a uma hora.
   

Passe-os então para uma rede e suspenda-os em local seco e fresco (arrecadação ou garagem) se os desejar secos ao ar (mais duros) ou congele-os (menos duros) e retire-os do congelador na véspera de os usar.

Em ambos os casos devem ser usados no prazo máximo de 1 ano, sendo que os congelados não devem ser recongelados, sob pena de desenvolver bactérias que danificariam muito a saúde das nossas amigas.

in: Pesca-pt

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8.9.09

A iscada com camarão.

 

Um excelente isco para o Sargo.

 

 

 

 

 

Original em video pescaemportugal.com

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7.9.09

 

A Costa Vicentina é talvez ainda um dos últimos paraísos para a pesca em Portugal. Só de se ouvir este nome associamo-lo imediatamente aos fabulosos pesqueiros de Sagres e da Carrapateira, trazendo-nos à memória as histórias de grandes pescarias de sargos e robalos de grande porte. Infelizmente também nos lembramos logo das histórias de acidentes sofridos por pescadores, quase sempre, fatais.De facto, ambas as lembranças são reais, é um local onde ainda se fazem grandes pescarias (embora cada vez menos) e também é verdade que todos os anos aquelas falésias roubam a vida a cerca de uma dezena de pescadores desportivos.
No entanto, esse facto parece não incomodar a maioria dos que aqui se dedicam à pesca, vindos de outras zonas do Algarve e até, de outras áreas do País. Espalhados pelas falésias, inúmeros pescadores prosseguem a sua actividade indiferentes aos riscos que aí espreitam.
A altura das falésias, a profundidade do mar e a força do vento fazem com que nos sintamos bem pequeninos, face à força dos elementos. É aqui, que a terra acaba e o mar começa.


As paredes do farol do Cabo de S. Vicente, um dos meus pesqueiros de eleição, aquela parede tem 65 m de altura. Notam alguma diferença nas fotos?

Como já perceberam pelo que acima foi dito o local não é para brincadeiras por isso, toca a arranjar material a condizer, pois não vamos pescar em molhes ou pontões a 2 metros da água.
A cana – Telescópica, com pelo menos 5 m de comprimento e acção superior a 100 grs.;
O carreto – Forte, que levante sem problema um peixe de 1 kg a 50 m de altura, deve ter capacidade na bobine para, pelo menos, 250 m de monofilamento de 0,40 mm. Grande parte dos carretos que por aqui se vêm são feitos artesanalmente tentando imitar o mítico carreto Rocha (O carreto Rocha era fabricado por um operário da Lisnave. Aquilo pesava mais de 1 kg mas levantava peixes de 3 kg sem problemas e, nunca avariava).
As bóias – De correr – A mais habitual é o clássico pião em tamanho XXL, que suporte chumbada furada de 50 a 80 grs., claro que em pesqueiros mais baixos, menos de 30 m, reduz-se o tamanho do pião de forma a que fique calibrado com chumbada furada de 20 a 40 grs., por cima da bóia leva uma pequena missanga que não lhe permite ultrapassar o nó de travamento.
Fixa – Bóias torneadas ou talhadas em madeira de diversos tamanhos, estas não necessitam de ser calibradas, trabalham deitadas. Também se pode utilizar o clássico pião, neste caso, este é apenas calibrado na madre com a chumbada e fixo sem folga com o nó de travamento/batente a impedir que a bóia corra.


As bóias da “guerra”

A montagem – Por aqui ninguém pesca directo, utiliza-se sempre estralho para a montagem ficando a bóia e chumbada (se usarmos a bóia de pião) fixas na madre. A madre normalmente é em monofilamento 0,40 ou 0,45 mm, sendo o estralho, no mínimo do comprimento da cana, normalmente em monofilamento 0,22 ou 0,25 mm de boa qualidade. Não se usam chumbos fendidos no estralho, apenas uma chumbadinha de correr tipo olivette de 3 a 5 ou mesmo 8 grs. para ajudar a afundar a iscada rapidamente.
No caso de bóias de correr o estralho tem os já citados 5 m, no entanto, consoante a profundidade dos pesqueiros, chega-se a pescar a profundidades de 15 a 20 m, vejam onde é que está o nó de travamento/batente…
No caso das bóias fixas, as que eu prefiro, o tamanho do estralho varia entre os 5 e os 10 m. Estas bóias têm um trabalhar muito mais natural e muito maior sensibilidade ao “toque” pois vê-se o afundar/empinar muito mais facilmente, mesmo com vento. Uma bóia de correr com um pouco de vento forma um “seio” no fio da madre e ao tentarmos esticá-la, para ter pouca folga, “obrigamos” a que a bóia se afaste do nó de travamento/batente o que a torna muito menos sensível aos “toques”.
Um dos espectáculos mais bonitos que se pode apreciar consiste em assistir à retirada de um bom exemplar, com mais de 1 kg, com bóia fixa e estralho de 8/10 m. A cana toda vergada e o peixe pendurado a kms da borda da falésia, inicia-se então a “dança” para a retirada do peixe que consiste em balanceá-lo para a esquerda, depois para a direita até que este movimento pendular permita a “chicotada” final que obriga o peixe a ultrapassar a falésia. Como depreenderão trata-se de uma técnica cujo domínio não é fácil e que nos custa alguns peixes até que a dominemos por completo.


Sargo 1,7 Kg capturado nas paredes do Farol do Cabo de S. Vicente.

Os iscos – Os iscos de eleição para a pesca à bóia reduzem-se apenas a 3, mas estes são quase obrigatórios: A sardinha para engodar e iscar com o filete do rabo ou o lombo, a gamba/camarão da costa fresca ou congelada e o célebre ralo, este último é realmente o tira-teimas com águas mais claras


Iscada de sardinha, gamba e ralo.
 

Os apetrechos – Porque a zona não é para brincadeiras, convém que nos equipemos a condizer, roupa confortável e folgada de forma a permitir liberdade de movimentos, calçado (muito importante) que “agarre” facilmente a rocha, nada de sapatilhas, botas de campino com sola macia, daquelas do mercado.
Para que tenhamos ampla liberdade de movimentos, já que muitas das descidas são “manhosas” usa-se o kit “mãos livres”. O ceirão da Vicentina que se coloca às costas tipo mochila e que leva todo o material de que necessitamos, a mochila com o material de pesca, o isco, o pisador/migador de engodo, a cana já com o carreto montado (para não deslizar para um ou outro lado) e o balde com o engodo. Na parte posterior do ceirão coloca-se o cesto/rabeca que se prende com um mosquetão ou corda.


Kit mãos livres para pesca na Vicentina

Os pesqueiros – Aqui é que a porca torce o rabo como se diria em gíria popular, vamos ter que distinguir 3 tipos de pescadores:

 1.     Os que vão à pesca passar um bocado bem passado em contacto com a natureza mas que não descuram o seu conforto e procuram pesqueiros acessíveis e abrigados;

 2.     Os que querem apanhar peixe não se importando com as condições climatéricas adversas nem com o seu conforto pessoal, apenas procurando arranjar um pesqueiro que dê peixe, mas nunca ultrapassando os limites do razoável pois não há peixe que valha uma vida.

 3.     Temos ainda o 3.º tipo de pescadores, os “loucos” das falésias, que munidos de cordas e carregados com todo o equipamento desafiam as falésias e pescam em locais onde mal cabe um balde e onde o mínimo descuido pode ser desastroso.


Á pesca em Sagres.

Enfim, a conversa já vai longa e aqui o pescador, tipo 2, tem que ir preparar o material para mais uma jornada de pesca.
Espero ter contribuído para que percebam um pouco melhor o que é a pesca por estas agrestes paragens.

 

in: pescaemportugal.com

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3.9.09

 

Sempre que programamos uma pescaria,  a nossa principal preocupação é conseguir garantir alguns peixes no balde.
Ficamos tão agarrados a essa ideia que, muitas vezes, deixamos de nos preocupar com uma das principais armas para conseguirmos alcançar esse objectivo : O Isco.
Ele é uma peça essencial numa boa pescaria e a sua principal função é despertar os sentidos dos peixes -
 Visão, Olfato, Audição e Paladar, e atraí-los para o nosso anzol.

 Vamos então conhecer um pouco mais sobre os sentidos desse que é o nosso "Nobre Companheiro".
 
  Visão
Pescador que se preze usa todos os recursos disponíveis para que o peixe tenha uma visão do isco como algo natural, tentador e apetitoso.
Discute-se muito se o peixe é capaz de distinguir cores, no entanto, a cada dia que passa o mercado dos artificiais possuem colecções cada vez mais coloridas.
Um grande número de pesquisadores afirma que os peixes distinguem cores e detectam variações imperceptíveis ao olho humano.
Por outro lado, há quem afirme que o animal ve somente o preto, o banco e as suas variações.
 
  Olfato:
Embora não tenham nariz, os peixes possuem fossas nasais dotadas de células ligadas às fibras do nervo olfativo, extremamente desenvolvido nos peixes.
Este apontamento é de grande importância no decorrer de uma pescaria pois poderemos de forma inconsciente apresentar ao peixe odores que poderão repeli-los tais como : fumo, combustível, lubrificantes, desodorizantes, vestígios de sabão, fruta e espante-se, até mesmo aquelas gotas de urina que possam ter saltado para a nossa mão num momento de aperto.
No entanto, o mais importante dos odores é gerado pelo próprio peixe.
Algumas espécies quando submetidas a um alto nível de stress, exalam uma substância chamada schrecksoffen.
Ela serve como alarme aos outros peixes, indicando que existe perigo presente.
Portanto, quando nos encontramos  num pesqueiro muito produtivo e após uma boa luta o peixe foge, o local provavelmente ficará improdutivo, e se chegar mesmo a haver contacto, as suas mãos também.
Se pratica o catch & realise É aconselhável, antes de pegar no peixe, molhar as mãos ou pegá-lo com um pano húmido, e depois de soltá-lo lavar bem as mãos com água da própria represa/lago/rio.
Os movimentos de fuga, juntamente com o stress do peixe, podem criar um ambiente impróprio para a pesca durante algum tempo.
 
  Audição:
Embora o peixe não possua orelhas, um ouvido interno possibilita que ele ouça sons que variam de 30 a 3.000 vibrações por segundo (o homem ouve até 30.000).
No entanto, a velocidade do som no ar propaga-se a 340 metros por segundo e na água 1.400 metros por segundo.
Embora o peixe ouça menos, ele capta as informações de forma muito mais rápida.
Por isso é importante o "silêncio" na pesca.
 
  Paladar:
Os peixes têm o paladar bastante apurado, devido ao grande número de tubérculos que ocupam sua boca e barbatanas.
Como o meio aquático tem a capacidade de transportar e espalhar as partículas responsáveis pela sensação de sabor,
elas chegam até os peixes, fazendo com que o animal se sinta atraído ou repelido pelo paladar que está a captar.
 
 
 
in:Pesca@pt
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2.9.09

Corvina


 

Nome vulgar: Corvina
Nome científico: Argyrosomus Regius

Família: Sparidae
Ordem:
Perciformes
Meio ambiente: Oceânico; grande imersão
pH:
Profundidade: 5-50m Metros
Clima: Temperado.
Temperatura: 8 - 24°C;

Corvina:

tamanho máximo até 2,30m comum em Portugal, vivem tipicamente no fundo. Aparecem quase sempre em locais arenosos ou de cascalho. Raramente circulam sobre pedras. Estão entre as espécies mais procuradas por quem gosta de trabalhar com iscas naturais de fundo.
O tamanho pode exceder os 70 cm. Alimentam-se de camarões, pequenos peixes, caranguejos e mariscos dos mais variados tipos. São amareladas, com reflexos dourados.Pesca-se a partir de praias ou pontões, com material médio e linhas entre 0,35 e 0,45 , de preferência canas de carbono ou grafite, iscadas com camarão, caranguejo, pequenos peixes e  lula ou choco - mas prefere a isca viva. Quando ferradas, em pescarias embarcadas, procuram sempre voltar ao fundo, dando várias descidas com as linhas até cansarem. Normalmente engolem anzóis. os juvenis (rabetas) penetram em estuários e lagoas costeiras. 

Alimentação:

peixes como a sardinha, cavala, tainhas, e ainda crustáceos.

Reprodução:

durante o Verão.

Isco:

gosta de iscos vivos como caranguejos pilados ou outros, sardinha, camarão, lula, choco e também pode ser capturada com amostras tipo zagaia.

 

 

in: Pesca-pt

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1.9.09

 

O mês de Setembro que agora começa, dá inicio a uma excelente época de pesca. As marés vivas vêm limpar os pesqueiros, agitando os fundos.  As marés movimentam também as areias, colocando a descoberto rochas que estavam ocultas, e criando fundos mais areados noutras zonas anteriormente mais rochosas.
 
 
Durante as marés vivas os peixes têm alguma dificuldade em se alimentar, e por isso o período imediatamente a seguir, quando as areias assentam e as aguas ficam mais lusas, são o momento ideal que devemos aproveitar para grandes pescarias. Os peixes estão famintos e as marés vivas deixam para trás muitas oportunidades de caça para eles. Observando bem as zonas de pesca devemos conseguir identificar os melhores pesqueiros para o tipo de peixe que pretendemos pescar.
Concluindo, o mês de Setembro é uma excelente oportunidade para iniciar a temporada de pesca com resultados que podem ser muito agradáveis.
 
 
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31.8.09

As dimensões dos peixes correspondem ao comprimento desde a ponta do focinho até á extremidade da barbatana caudal (medida total).

.................................................Por ordem Alfabética:

Espécie- nome vulgar e nome cientifico. medida.
Areeiros (Lepidorhombus spp.)

20 cm

Arenque (Clupea harengus) 20 cm
Atum-Albacora (Thunnus albacares) 3,2 Kg
Atum-patudo (Thunnus obesus) 3,2 Kg
Atum-rabilho (Thunnus thynnus) 70cm / 6,4kg
Azevia (Microchirus azevia) 18 cm
Badejo (Merlangius merlangus) 27 cm
Baila (Dicentrarchus punctatus) 20 cm
Besugo (Pagellus acarne) 18 cm
Bica (Pagellus erythrinus) 15 cm
Biqueirão (Engraulis encrasicholus) 12 cm
Boga (Boops boops) 15 cm
Carapau Branco (Trachurus trachurus) 15 cm
Carapau negrão (Trachurus picturatus) 15 cm
Choupa (Spondyliosoma cantharus) 23 cm
Congro / Safio (Conger conger) 58 cm
Corvina-legitima (Argyrosomus regius) 42 cm
Dourada (Sparus aurata) 19 cm
Enguia (Anguilla anguilla) 22 cm
Espadarte (Xiphias gladius) 125cm / 25kg
Faneca (Trisopterus luscus) 17 cm
Ferreira (Lithognathus mormyrus) 15 cm
Goraz (Pagellus bogaraveo) 25 cm
Juliana (Pollachius pollachius) 30 cm
Lampreia do mar (Petromyzon marinus) 35 cm
Lingua (Dicologoglossa cuneata) 15 cm
Linguado (Solea spp.) 24 cm
Pargo-legitimo (Pagrus pagrus) 20 cm
Pescada Branca (Merluccius merluccius) 27cm
Pregado (Scophthalmus maximus) 30 cm
Robalo-legitimo (Dicentrarchus labrax) 36 cm
Rodovalho (Scophthalmus rhombus) 30 cm
Salema (Sarpa salpa) 18 cm
Salmão (Salmo salar) 55 cm
Salmonete (Mullus surmuletus) 15 cm
Sarda / Cavala (Scombrus spp.) 20 cm
Sardinha (Sardina pilchardus) 11 cm
Sargo (Diplodus spp.) 15 cm
Sável (Alosa alosa) 30 cm
Solha-avessa (Pleuronectes platessa) 27 cm
Solha-das-pedras (Platichtys flesus) 22 cm
Tainha-Garrento (Mugil auratus) 20 cm
Tainha-liça (Chelon labrosus) 20 cm
Tainha-olhalvo (Mugil cephalus) 20 cm
Truta-marisca (Salmo trutta) 30 cm
   
Camarão-branco (Palaemon serratus) 6 cm
Camarão-mouro (Crangon crangon) 5 cm
Caranguejo-mouro (Carcinus maenas) 5 cm
Amêjoa-branca (Spisula solida) 2,5 cm
Berbigão (Cerastoderma edule) 2,5 cm
Choco (Sepia officinalis) 10 cm
Longueirão-curvo (Ensis ensis) 10 cm
Longueirão-direito (Ensis siliqua) 10 cm
Lula (Loligo vulgaris) 10 cm
Mexilhão (Mytilus spp.) 5 cm
Navalha (Pharus legumen) 6,5 cm
Polvo-vulgar (Octopus vulgaris) 0,750 kg

 

 

 

Para que no futuro continue a apanhar peixe é muito importante a preservação das espécies. É sua obrigação a devolução á água em condições de sobrevivência das capturas que estejam a baixo das medidas indicadas. Seja consciente!

 

 Fonte: IGP

 

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